Didática, insurgências políticas e ação
O formato escolar inscrito na lógica da modernidade oferece aos professores e professoras novos problemas que necessitam de novas abordagens e altas doses de dinamismo nos processos de ensino-aprendizagem, estes cada vez mais significativos para que respondam aos desafios da sociedade contemporânea. As promessas de igualdade e cidadania para todos frente a complexidade e pluralidade de questões e sujeitos envolvidos nos processos de ensino-aprendizagem requer da escola mais do que produtividade, avaliação e resultados. Para além do domínio do conteúdo e aquisição de habilidades básicas, busca-se hoje estratégias que superem o tecnicismo, pois entendemos que a didática é mais do um conjunto de procedimentos e técnicas. A técnica pura torna a escola um espaço homogêneo, o qual entendemos que a escola não faz parte. A escola é um espaço multicultural, que abriga e acolhe diversos saberes, histórias e atores sociais.
A universalização da escolarização limita-nos a torná-la mais eficiente. É preciso reinventar a escola. E reinventar não é negar sua relevância. Reinventar exige de nós conhecer nossos processos históricos e romper vínculos com uma visão homogeneizadora e monocultural. É necessário questionamentos como: Que conhecimentos estamos privilegiando? Quais conteúdos continuamos a inviabilizar? Analisar o contexto político, social, econômico e cultural da nossa realidade nos trará novas perspectivas na construção de um caminho repleto de desafios.
Neste caminhar notamos inúmeras dinâmicas de transformação da sociedade marcada por retrocessos, avanços, conquistas e perdas de direitos, intensificação das desigualdades, violências, discriminação e intolerância. Um contexto onde precisamos superar o cansaço e as vezes a desesperança. E a pergunta que fazemos é: como vencê-los? A resposta é única: promovendo o diálogo como fonte da humanização.
Mobilizar saberes e ações, desenvolver processos educacionais que confrontem a lógica do apagamento histórico que rompam com a homogeneização e favoreçam o protagonismo dos sujeitos sociais silenciados.
Nos últimos anos uma crescente preocupação com as questões étnico-raciais projeta-se no cenário nacional. Vem se discutindo a problemática das relações étnico-raciais e das diferenças culturais, produzindo inúmeras reflexões e pesquisas não somente no Brasil, mas também em toda a América latina. Tais mudanças ocorrem a partir do crescimento da própria conscientização política de grupos sociais, intensificando a confrontação de seus direitos e defesa de suas identidades.
A partir de tais reflexões é possível considerarmos o desenvolvimento de políticas para a educação escolar. O amadurecimento dos movimentos sociais provocou a intensificação de debates a respeito da problemática étnico-racial e em respostas do Estado surgiram novas propostas de inclusão.
A Lei 10.639 instituiu a obrigatoriedade do ensino de história africana e afro-brasileira nos currículos escolares, alterando a Lei de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional (LDB) desde o ano de 2003. Logo, a escassez de informação sobre a história africana e afro-brasileira acaba por promover o racismo em diferentes esferas e magnitudes. A inclusão da história africana e afro-brasileira no currículo mínimo torna-se fundamental para romper com o racismo presente na sociedade brasileira e representa um desafio para a própria disciplina de história, em gerar estratégias de superação do racismo, construindo projetos e iniciativas que atuem na diminuição das desigualdades raciais.
Ação mobilizadora
No dia 20 de novembro é celebrado o dia da Consciência Negra (data inclusa no calendário oficial nacional desde 2011). No Colégio resolvemos dedicar uma Semana da Consciência Negra, realizada entre os dias 15 e 19 de novembro de 2021. Esta ação pedagógica teve como objetivo tratar parcialmente a História africana e afro-brasileira para além dos conteúdos contemplados pelo currículo mínimo na disciplina de História.
A proposta de atividade que guiou os estudantes do ensino fundamental 2 foi a elaboração de cartazes compostos de textos e imagens de pessoas negras que fossem grandes nomes da História mundial e que gerassem admiração por seus feitos. Políticos, cantores e cantoras, atores e atrizes, escritores e escritoras, filósofos e filósofas – do passado e da atualidade, que de alguma forma contribuíram com seus talentos e saberes na luta pela inserção do negro na sociedade diante aos desafios que lhes são impostos.
A iniciativa debatida com os estudantes teve como ponto de partida gerar visibilidade e informação a partir da perspectiva do protagonismo de tais atores sociais, evidenciando suas histórias, lutas, invenções, publicações, teorias, arte etc. para que o dia da consciência negra não fosse apenas uma data de celebração, mas, principalmente, um momento de reflexão sobre o papel das pessoas negras na sociedade.

Por Professora Carol Araújo
Disciplina de História
Fevereiro 2022



































































